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O mundo corporativo exige maturidade, mas não amnésia

Por que seguir em frente nem sempre significa fingir que nada aconteceu


Ao longo da minha trajetória corporativa, conheci profissionais excelentes.

E conheci pessoas que, sendo bastante direta, foram ruins.


Pode soar estranho chamar alguém de “pessoa ruim” no contexto profissional, afinal, estamos acostumados a suavizar tudo com termos como “difícil”, “desafiador”, “político”.


Mas há comportamentos que ultrapassam qualquer relativização: mentiras deliberadas, jogos de poder onde um ganha e muitos perdem, desrespeito, manipulação, formas de tratamento que deixam marcas negativas.


E algumas marcas não se apagam com o tempo.

Elas ficam armazenadas na memória, especialmente quando a memória é boa.


Há algo pouco falado sobre isso:

o desconforto de reencontrar, anos depois, alguém que te feriu profissionalmente.

Às vezes no LinkedIn.

Às vezes em um evento.

Às vezes em uma conversa casual que exige cordialidade imediata.


O mundo corporativo é pequeno. E é mesmo.

As pessoas voltam. Os nomes reaparecem. As conexões se cruzam.


E junto com elas, volta também a sensação ruim.


Não é questão de terapia

Não é racional.

Não é estratégico.

É humano.


Existe uma expectativa silenciosa no mundo do trabalho de que sejamos capazes de “passar por cima”, seguir em frente, agir como se nada tivesse acontecido.

De que maturidade profissional seja sinônimo de amnésia emocional.


Mas não é.


Nem tudo se supera rápido.

Nem todo impacto se dissolve com uma mudança de empresa ou de cargo.

E fingir que não aconteceu também cobra um preço, que geralmente é interno.


Com o tempo, aprendi algo importante:

seguir em frente não significa continuar disponível.


Já neguei projetos.

Já recusei oportunidades em empresas excelentes porque algumas dessas pessoas estavam lá.

E, por muito tempo, questionei se isso era falta de maturidade da minha parte.


Hoje, vejo de outra forma.


O que é, afinal, felicidade profissional?


Não é apenas cargo, nome da empresa ou complexidade do projeto. É também com quem você constrói, em que tipo de ambiente você se coloca e quais limites você respeita.

Existe um ponto em que insistir em “dar uma nova chance” deixa de ser abertura e passa a ser desrespeito consigo mesmo.


Nem todo mundo é bonzinho.

Nem todo ambiente merece seu talento.

E está tudo bem não querer trabalhar novamente com quem te adoeceu de alguma forma, mesmo que essa pessoa seja bem-sucedida, bem relacionada ou tecnicamente brilhante.


Isso não é rancor.

É discernimento.


O mundo do trabalho exige inteligência política.

Mas ele não exige anestesia emocional.


E talvez maturidade profissional seja exatamente isso:

conseguir seguir em frente sem negar o que sentiu,

fazer escolhas conscientes,

e entender que preservar sua integridade também é uma forma legítima de sucesso.


Esse tema atravessa muitas das conversas que tenho em mentoria, especialmente com profissionais que estão se preparando para assumir posições de liderança mais sênior.Quando o cargo sobe, as escolhas deixam de ser apenas técnicas passam a ser éticas, emocionais e identitárias.


Trabalhamos juntos justamente essa leitura:o jogo corporativo, seus riscos, seus limites e, principalmente, as escolhas conscientes que preservam integridade e felicidade profissional no longo prazo.


Se você está nesse momento de transição ou reflexão, a mentoria pode ser um espaço seguro para organizar essas decisões com profundidade e lucidez.



Marcela Azevedo - HR.Brasil

Mentora, líder de Recursos Humanos e especialista em transformação organizacional, com foco em comportamento humano, desenho organizacional e mudanças sustentáveis no trabalho.

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