O efeito positivo da resistĂȘncia a mudanças
- Marcela Azevedo
- 16 de ago. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de jan. de 2021
Sempre que uma mudança Ă© introduzida na organização, inevitavelmente haverĂĄ resistĂȘncia a ela. Seja uma mudança em um processo de RH, uma mudança na ĂĄrea de tecnologia ou uma transformação de processos em Agile, se afetarĂĄ as pessoas, portanto, ocorrerĂĄ resistĂȘncia Ă mudança. As pessoas sĂŁo diferentes, e possuem formas diferentes de reagir quando expostas aacontecimentos que geram insegurança ou medo.
POR QUE AS PESSOAS RESISTEM Ă MUDANĂA?
Uma das razÔes pela qual as pessoas resistem à mudança é o medo do desconhecido. As pessoas só avançarão para um estado futuro quando acreditarem, ou sentirem, que o risco de permanecer no estado atual é maior do que o risco de mudar para o estado futuro.
Pode haver razĂ”es histĂłricas para a resistĂȘncia Ă mudança na empresa. Se as iniciativas de mudança anteriores foram mal gerenciadas ou falharam, pode haver uma falta de confiança de que essa melhoria atual possa ser efetivamente implementada. As pessoas podem nĂŁo ter uma imagem clara do impacto da mudança nos negĂłcios e por que ela estĂĄ sendo realizada. Ha casos em que houveram muitas mudanças na organização,e os funcionĂĄrios podem estar passando por fadiga e, portanto, começam a resistir a mudanças adicionais.
Costumamos "julgar" os resistentes como o maior problema da mudança. No entanto, eu argumentaria que a resistĂȘncia Ă mudança poderia ser uma coisa boa.
RESISTĂNCIA Ă MUDANĂA - UMA BOA COISA?
Em primeiro lugar, se as pessoas estão resistindo às mudanças, isso significa que elas realmente começaram sua jornada de mudança. Elas não negam mais a mudança, estão reconhecendo que precisarão mudar e adotar uma nova maneira de trabalhar. Se as pessoas envolvidas estão em negação, isso sim é uma atitude ruim.
Se eles estão resistindo à mudança, isso é uma coisa boa! Vou tentar explicar.
Existem dois tipos de resistĂȘncia - velada e aberta. ResistĂȘncia velada (boicotador velado) Ă© aquele que faz o "resmungo no cafĂ©" . Ă o que parece aderir, mas nos bastidores resiste. A resistĂȘncia velada Ă© improdutiva, mas pode ser o resultado da falta de segurança que os funcionĂĄrios sentem para levar a discussĂŁo o que veem ou sentem, e que poderia ser uma preocupação legĂtima no planejamento de reuniĂ”es. Essa situação precisa ser resolvida o mais rĂĄpido possĂvel. Busque uma forma de desenvolver um clima de segurança, e um canal aberto de comunicação.
A resistĂȘncia aberta (boicotador aberto) Ă© quando os funcionĂĄrios desafiam abertamente uma mudança, eles nĂŁo escondem a insatisfação, e estĂŁo sempre apontando a mudança como um erro. O boicotador aberto nĂŁo Ă© necessariamente uma coisa ruim. Os funcionĂĄrios podem realmente estar certos em algumas objeçÔes. Eles podem reconhecer problemas que sua gerĂȘncia nĂŁo previu anteriormente no mapeamento dos impactos organizacionais. Eles geralmente estĂŁo "mais prĂłximos da operação do trabalho" e por isso tĂȘm idĂ©ias, e um olhar que a equipe de gerenciamento de mudança nĂŁo possui.
Ouvir e abordar as questĂ”es levantadas pelos boicotadores abertos muitas vezes pode tornĂĄ-los os maiores stakeholders da sua iniciativa de mudança. EnvolvĂȘ-los ativamente na mudança pode ser a chave para o sucesso.
Ă importante que como RH ou gerentes de mudança reconheçamos que uma resistĂȘncia substancial a uma mudança pode de fato significar que a mudança pode estar em um caminho perigoso e pode estar mal dimensionada. Neste caso, deve ser interrompida e replanejada para evitar uma falha desastrosa e impactos maiores no negĂłcio!
Se a resistĂȘncia Ă mudança advĂ©m da falta de compreensĂŁo do ojetivo da mudança, Ă© preciso fornecer aos funcionĂĄrios uma resposta completa Ă pergunta: "Qual Ă© a lĂłgica de mudarmos agora?". Parece ser uma pergunta fĂĄcil de responder; como RH precisamos explicar 'por que' essa mudança estĂĄ acontecendo e 'por que' a participação e engajamento dos funcionĂĄrios Ă© importante.
A resistĂȘncia Ă mudança reforça a necessidade do desenvolvimento do plano de comunicaçao e a criação de um canal aberto para ouvir e obter feedbacks durante o processo de mudança. Reforça que precisamos trazer os funcionĂĄrios para mudança, e nĂŁo somente lĂderes e alta gestĂŁo.
Contudo, dĂȘ Ă s pessoas um vislumbre do raciocĂnio por trĂĄs de nossas decisĂ”es na gestĂŁo das mudanças. Comunique, comunique e comunique. Porque se as pessoas nĂŁo entenderem por que precisam mudar, elas nĂŁo mudarĂŁo.
Marcela Azevedo - Certificada HCMBOKÂź e HCMPÂź 3G Expert Professional pela HUCMI (Human Change Management Institute)


