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O custo invisível de manter relações profissionais disfuncionais

Nem toda relação profissional disfuncional é explícita.

Algumas se apresentam como parceria, colaboração ou até como oportunidade de aprendizado.


Esta semana, atendi duas mentoradas que chegaram com a mesma demanda, embora em contextos diferentes: “preciso aprender a lidar com algumas relações no trabalho.”

Não era sobre entrega técnica. Era sobre como sustentar performance em ambientes onde a relação exige mais do que o trabalho.


Relações tóxicas ou com pessoas aproveitadoras não geram apenas desgaste emocional. Elas consomem capacidade cognitiva. Parte da energia que deveria estar dedicada à análise, à criação e à tomada de decisão passa a ser usada para autoproteção, leitura de intenções e gestão de tensões invisíveis.



Quando digo que relações tóxicas ou com pessoas aproveitadoras consomem capacidade cognitiva, não é metáfora, é funcionamento humano básico.


Ambientes e relações disfuncionais ativam um estado constante de monitoramento e defesa. A pessoa passa a gastar energia mental antecipando reações, calculando palavras, avaliando riscos políticos e tentando não “dar margem”. Isso reduz o espaço cognitivo disponível para pensamento estratégico, criatividade e tomada de decisão de qualidade.


Na prática, o cérebro sai do modo de produção e entra no modo de sobrevivência relacional. O trabalho deixa de ser orientado por impacto e passa a ser guiado por cautela para lidar com aquela pessoa "complexa".


Exemplo da mentorada: Ela é tecnicamente excelente, mas trabalha com alguém que se apropria de ideias ou distorce informações, então ela começou a:

  • revisar excessivamente tudo o que falava ou escrevia,

  • evitava expor raciocínios inacabados,

  • deixava de contribuir em fóruns estratégicos para não se expor,

  • priorizava segurança política em vez de impacto real.


Externamente, ela “segue entregando”.Internamente, está operando abaixo do seu potencial cognitivo.


Você deve estar se perguntando o que fazer numa situação como essa.

A minha opinião é que o ponto não começa em “como lidar melhor” com a pessoa difícil. Começa em como você está funcionando dentro dessa relação e no que ela está exigindo de você para continuar existindo.


Em muitos casos, a decisão mais madura não é confrontar, insistir ou tentar “consertar” a dinâmica. É reduzir a exposição. Criar distância funcional. Diminuir interações desnecessárias. Estruturar o trabalho para que haja o mínimo de contato possível, sem romper a entrega.


Nem toda relação profissional precisa ser próxima para funcionar. Algumas só funcionam quando são objetivas, delimitadas e pouco personalizadas.


Romantizar relações difíceis como “parte do jogo” costuma custar caro. O jogo do trabalho não é sobre aguentar mais. É sobre conseguir entregar bem, aprender, evoluir e manter clareza, saude e bem estar ao longo do tempo.

Se uma relação exige que você opere em estado permanente de defesa, talvez o movimento mais estratégico não seja se adaptar mais mas se preservar melhor para focar no que realmente importa: o seu trabalho, a sua trajetória e o seu desenvolvimento.



Marcela Azevedo - HR.Brasil

Mentora, líder de Recursos Humanos e especialista em transformação organizacional, com foco em comportamento humano, desenho organizacional e mudanças sustentáveis no trabalho.


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