O custo invisível de manter relações profissionais disfuncionais
- Marcela Azevedo
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Nem toda relação profissional disfuncional é explícita.
Algumas se apresentam como parceria, colaboração ou até como oportunidade de aprendizado.
Esta semana, atendi duas mentoradas que chegaram com a mesma demanda, embora em contextos diferentes: “preciso aprender a lidar com algumas relações no trabalho.”
Não era sobre entrega técnica. Era sobre como sustentar performance em ambientes onde a relação exige mais do que o trabalho.
Relações tóxicas ou com pessoas aproveitadoras não geram apenas desgaste emocional. Elas consomem capacidade cognitiva. Parte da energia que deveria estar dedicada à análise, à criação e à tomada de decisão passa a ser usada para autoproteção, leitura de intenções e gestão de tensões invisíveis.
Quando digo que relações tóxicas ou com pessoas aproveitadoras consomem capacidade cognitiva, não é metáfora, é funcionamento humano básico.
Ambientes e relações disfuncionais ativam um estado constante de monitoramento e defesa. A pessoa passa a gastar energia mental antecipando reações, calculando palavras, avaliando riscos políticos e tentando não “dar margem”. Isso reduz o espaço cognitivo disponível para pensamento estratégico, criatividade e tomada de decisão de qualidade.
Na prática, o cérebro sai do modo de produção e entra no modo de sobrevivência relacional. O trabalho deixa de ser orientado por impacto e passa a ser guiado por cautela para lidar com aquela pessoa "complexa".
Exemplo da mentorada: Ela é tecnicamente excelente, mas trabalha com alguém que se apropria de ideias ou distorce informações, então ela começou a:
revisar excessivamente tudo o que falava ou escrevia,
evitava expor raciocínios inacabados,
deixava de contribuir em fóruns estratégicos para não se expor,
priorizava segurança política em vez de impacto real.
Externamente, ela “segue entregando”.Internamente, está operando abaixo do seu potencial cognitivo.
Você deve estar se perguntando o que fazer numa situação como essa.
A minha opinião é que o ponto não começa em “como lidar melhor” com a pessoa difícil. Começa em como você está funcionando dentro dessa relação e no que ela está exigindo de você para continuar existindo.
Em muitos casos, a decisão mais madura não é confrontar, insistir ou tentar “consertar” a dinâmica. É reduzir a exposição. Criar distância funcional. Diminuir interações desnecessárias. Estruturar o trabalho para que haja o mínimo de contato possível, sem romper a entrega.
Nem toda relação profissional precisa ser próxima para funcionar. Algumas só funcionam quando são objetivas, delimitadas e pouco personalizadas.
Romantizar relações difíceis como “parte do jogo” costuma custar caro. O jogo do trabalho não é sobre aguentar mais. É sobre conseguir entregar bem, aprender, evoluir e manter clareza, saude e bem estar ao longo do tempo.
Se uma relação exige que você opere em estado permanente de defesa, talvez o movimento mais estratégico não seja se adaptar mais mas se preservar melhor para focar no que realmente importa: o seu trabalho, a sua trajetória e o seu desenvolvimento.
Marcela Azevedo - HR.Brasil
Mentora, líder de Recursos Humanos e especialista em transformação organizacional, com foco em comportamento humano, desenho organizacional e mudanças sustentáveis no trabalho.






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